quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Afinal, foges de quê?





A história é a mesma pra QUASE todo mundo. Fim de tarde, o sol continua lá, no mesmo lugar. O que caracteriza o provável fim de mais um dia é a falta de energia, energia essa física, mental e provavelmente emocional.


Lá está ela, sentada em baixo de uma árvore de um canteiro em uma das avenidas movimentada da grande e interiorana Goiânia, vestida por uma capa de invisibilidade observa milhares de carros que passam se ultrapassam e seguem o curso normal de seu destino, nas mãos uma criança a única conquista de uma vida toda, nos pés aquele velho calçado que a tem acompanhado a canto nenhum. A luta diária é em busca do seu destino, ou de um destino qualquer, que seja mais generoso, mais visível e menos solitário.


Um olhar no infinito, o outro na realidade, tudo passa diante de seus olhos, mas os pensamentos estão em outro lugar, na infância que passou cedo demais, na adolescência que trouxera consigo as responsabilidades da maioridade, enfim nas diversas possibilidades que a enviaram até ali.

A única certeza é que não tem para onde ir, nunca tivera, por isso fugira e continuara nessa caminhada fugitícia¹. Afinal, foges de quê? Pra quê? És invisível mulher, não te preocupes vives à margem da sociedade que há tanto já não te enxerga mais. Para ti tanto faz, fazer teu pouso aí, ali, lá ou acolá. Fique aí mesmo ninguém vai te incomodar.

Eu continuarei de cá, no meu lugar intermediário, reflexivo, piedoso, sem condições de ser caridoso e prometo apenas observar se possível fotografar. Cenas assim são para registrar e já que a tecnologia permiti, por que não PUBLICAR?


¹Fugitícia = fuga fictícia

Luciléia Caetano




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